Vídeos, Mídia e Fotos

Acima as primeiras entrevistas logo após o lançamento do livro, e no mesmo local (TV Gazeta na Av. Paulista em São Paulo) onde 40 anos antes, o nosso caminho cruzou com o de Elis Regina. Durante a entrevista de Ione Borges, com a narrativa e as músicas, a emoção tomou conta dos bastidores... Ao final, lágrimas, abraços emocionados, gestos de reconhecimento e saudades. A entrevista com Ronnie Von foi um reencontro de velhos amigos, em uma entrevista descontraída e reveladora.

Confraternização musical no dia do lançamento do livro, onde tocamos Upa Neguinho, o "hino nacional" de Elis Regina com o Bossa Jazz Trio. No piano está Amilson Godoy e na bateria eu, com a cara e a coragem, tocando de improviso, depois de 30 anos sem sentar em uma bateria.  No contrabaixo Sabá, que tocou com o Jongo Trio. O Jongo tocou com Baden Powell e acabou sendo convidado para acompanhar Elis Regina e Jair Rodrigues no show "Dois na Bossa", que virou LP de muito sucesso.

Este vídeo reproduz o disco que marcou a entrada do Bossa Jazz Trio no mercado fonográfico. Nessa gravação já tinhamos a marca registrada de bossa e jazz representando bem a batida e o som da Bossa Nova. Na raíz do Bossa Jazz Trio estão João Benedito (o Benê, no piano e flauta), Nelson Aquino (o Nelsinho, no contrabaixo) e eu na bateria. Juntos, aos 18 anos de idade, fomos responsáveis pelo primeiro grande sucesso do trio em disco e mídia com a música Balanço Zona Sul (Tito Madi), o que abriu as portas para o que veio depois na história do BJ3. Esta gravação foi relançada em CD, em 1989, pela gravadora RGE na coletânea "O melhor da Bossa", pelos 30 anos da bossa nova.

Reencontro do Bossa Jazz Trio, ocorrido em Janeiro de 2008, foi fotografado por Andrea Ribeiro, profissional que vem trabalhando com José Roberto desde o lançamento do livro "Boulevard des Capucines". No vídeo Andrea colocou o reencontro do trio no contexto da história contada no livro, destacando valores comuns aos integrantes do Bossa Jazz e a Elis Regina, tais como família, amigos, trabalho e a paixão pela música. Com as canções "Redescobrir" de Luiz Gonzaga Jr e "Nada será como antes" de Milton Nascimento, e com as imagens que capturou com sua câmera, Andrea expressa com muito talento e sensibilidade o reencontro e as nuanças das relações humanas na vida de José Roberto contada no livro. Os demais vídeos foram gravados ao vivo durante a apresentação com música do repertório dos anos 60.


Na França de 1968, com apenas duas canções, Elis Regina conquistou uma das plateias mais exigentes do mundo no Festival do Disco em Cannes, abrindo as portas do Teatro Olympia em Paris e de sua bem sucedida carreira na Europa. Junto com ela, sustentando arranjo musical, harmonia e ritmo, estavam José Roberto, Amilson Godoy e Jurandyr Meirelles, os músicos do Bossa Jazz Trio. A canção Upa Neguinho era sua marca registrada! No vídeos acima a performance que valeu o contrato para a primeira e consagradora temporada de Elis Regina no Teatro Olympia, e apresentações na RTF em Paris em março de 1968. Foi gravado pela Eurovision em janeiro de 1968 no Palácio dos Festivais de Cannes onde foi realizado II Festival MIDEM do disco. Elis, acompanhada pelo Bossa Jazz Trio, foi a única artista para a qual a produção permitiu bisar a apresentação de Upa Neguinho, uma exceção memorável!

Na sequencia, Elis Regina cantando "Upa Neguinho" de Edu Lobo, acompanhada pelo Bossa Jazz Trio e por Hermes na percussão, gravação realizada na TV estatal francesa RTF - "Radiodiffusion et Télévision Française" em 1968, na época da sua consagrada estréia no Teatro Olympia de Paris. Ainda não tínhamos TV a cores no Brasil, e esta gravação foi algo inédito para nós. Em termos de imagem e som, este é o melhor registro que conseguimos resgatar da história de Boulevard des Capucines. Na mesma RTF também em março de 1968 Elis Regina canta com Sacha Distel acompanhados pelo Bossa Jazz Trio no programa Sacha Show. 

 

 

 

Considero este disco um dos melhores da carreira de Elis. Foi uma honra poder gravar com ela e uma orquestra formada pelos melhores músicos de São Paulo, com arranjos e regência do maestro Francisco de Moraes. Foi, também, a nossa única gravação com Elis com qualidade sonora de estúdio. O Bossa Jazz está em oito das doze músicas do disco: Roda, Pra Dizer Adeus, Estatuinha, Veleiro, Boa Palavra, Tem Mais Samba, Sonho de Maria e Teresa Sabe Sambar. Há algumas canções pelas quais tenho um carinho especial, tais como: "Veleiro", de Edu Lobo e Torquato Neto, "Tem Mais Samba", de Chico Buarque, "Sonho de Maria", de Marcos e Paulo Sérgio Valle. O álbum foi lançado originalmente em setembro de 1966, e relançado no CD "Elis 66", produzido por Luiz Mocarzel, colocado no mercado em 2004 pela Universal Music - Philips.

Tributos

Com estes vídeos da apresentação de Elis Regina com Hermeto Paschoal no décimo-terceiro Montreux Jazz Festival em 20 de julho de 1979, presto um tributo à Elis por uma razão muito pessoal. A história desta performance serviu de inspiração e de energia para um momento muito importante em minha vida, transcendendo tempo e espaço, de uma forma que eu jamais poderia imaginar. Este acontecimento em Montreaux é um exemplo de superação e autoafirmação de Elis em meio à platéia e às "feras" que se apresentavam no festival, que a resgatou da apresentação que tinha acabado de fazer em circunstancias extremamente desfavoráveis. Serve de inspiração para qualquer um de nós.

De improviso a organização do festival havia pedido a Elis e Hermeto que fizessem um número de encerramento com voz e piano. Elis teria que cantar com a voz muito cansada por ter feito duas apresentações no mesmo dia, acompanhada pelo "bruxo" das dissonâncias que tem uma forma de pensar música fora de qualquer convenção, o que não era fácil. A primeira música que acertaram fazer ali, na hora, depois de alguns cochichos, foi "Corcovado". Com o piano viajando pelas "galáxias", Elis fechou os olhos e segurou o tom cantando com bravura e entrega.

Elis virava o jogo e começava a transformar o desafio em diversão. Os dois já sorriam com Elis brincando de Billie Holiday nas subidas e descidas da melodia e soltando as próprias percepções para se jogar definitivamente em uma apresentação arrebatadora. Seguiram-se "Garota de Ipanema" e "Asa Branca", com o público querendo mais e mais. O bruxo e a feiticeira faziam a platéia levitar. Na coxia, convidados e os músicos brasileiros juntamente com as feras do jazz mundial permaneciam em estado de contemplação com a performance. Elis e Hermeto parariam a Suiça inteira se quisessem. O abraço foi forte e demorado quando o último acorde soou. Elis saudou Hermeto com palavrões de felicidade, bem ao seu estilo!

Elis 30 anos, um tributo. Elis Regina Carvalho Costa, a voz, o mito. Estrela de brilho único, em 19/01/1982 ela passou para outra dimensão mas trinta anos depois continua entre nós como insuperável referência, eternizada pela sua obra e fãs. Veja no video através de O Trem Azul, de Lô Borges, um tributo símbolo da transcendência de Elis Regina através das gerações. ela é eterna, e a eternidade rompe qualquer medida e destrói qualquer comparação (Pierre Nicole). Agradecemos aos jovens fãs de Elis que viabilizaram esta homenagem.

Fotos