O Boulevard






O Boulevard des Capucines em Paris, além de dar nome ao meu livro, de ser o ponto de partida para a conquista da Europa por Elis Regina acompanhada pelo Bossa Jazz Trio, também é uma referência cultural, cenário de movimentos artísticos e apresentações musicais memoráveis.

Foi no número 35 do Boulevard des Capucines , no atelier de Félix Nadar, por volta de 1870, que foi realizada a primeira e controvertida mostra da escola de pintura conhecida como "Impressionismo". Esta escola visava captar, em princípio, a impressão visual produzida por cenas e formas derivadas da natureza, e decompunha o movimento e a luz, baseada especialmente no emprego das cores e de suas relações e contrastes, a fim de obter efeitos plasticamente dinâmicos e objetivos.

No dia 25 de Abril de 1874, o jornal francês Le Charivari publicou um texto do crítico Louis Leroy intitulado "A Exposição dos Impressionistas". Este artigo tornou-se famoso pelo fato de nele o seu autor ter destacado uma obra do pintor Claude Monet intitulada "Impressão". Com óbvios objetivos de troça, qualificou de "Impressionistas" os trinta pintores que então expuseram no atelier do fotógrafo Nadar, à margem da mostra oficial. Além de Monet, contavam-se nessa exposição nomes como os de Sisley, Renoir, Cèzanne, Pissarro e Degas. Por suas inovações, a escola Impressionista influiu marcantemente na pintura do século XX.

Em 28 de dezembro de 1895, trinta e três pessoas se dirigem ao número 14 do Boulevard des Capucines , entram no Grand Café, se dirigem ao Salão Indiano no subsolo, e pagam 1 franco pelo privilégio histórico de serem os primeiros espectadores a assistir à primeira sessão comercial de cinema. Apesar da tela improvisada, a platéia ficou estarrecida ao ver uma carroça, puxada por um cavalo, se mover acima de suas cabeças. Os irmãos Louis e Auguste Lumière, franceses, conseguiram projetar imagens ampliadas numa tela graças ao cinematógrafo, invento equipado com um mecanismo de arrasto para a película. Na apresentação pública de 28 de dezembro de 1895 os presentes viram, pela primeira vez, filmes como "La Sortie des ouvriers de l'usine Lumière" (A saída dos operários da fábrica Lumière) e "L'Arrivée d'un train en gare" (Chegada de um trem à estação), breves testemunhos da vida cotidiana.

No fim do século 19, no número 28 do Boulevard des Capucines , localizado entre l'Opéra (Teatro da Ópera de Paris) e la Madeleine (a bela e clássica igreja), foi inaugurado pelo empresário Joseph Oller, o Teatro Olympia. Durante muito tempo esta sala foi dedicada a apresentações de circo e cinema. O mítico teatro existente até os nossos dias, foi concebido pelo seu fundador, Bruno Coquatrix que o adquiriu em 5 de fevereiro de 1954 e decidiu abri-lo para todos os tipos de espetáculos e artistas. Por esta sala passaram nomes como Gilbert Bécaud, Piaf, Gréco, Montand, Reggiani, Ferré, e ainda os Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix e James Brown, entre outros. Sua contribuição para a difusão do Jazz é também excepcional. Apresentaram-se no Olympia nomes como: Louis Armstrong, Oscar Peterson, Quincy Jones, John Coltrane, Stan Getz, Billie Holiday, Ella Fitzgerald, entre tantos outros não menos importantes. Como se não bastasse, Frank Sinatra, Ray Charles e Nina Simone, foram outros deuses da música que por lá se apresentaram.

E em 6 de março de 1968, depois de conquistar a França com um sucesso arrasador no II Festival "MIDEN" do disco em Cannes, Elis Regina Carvalho Costa acompanhada por Amilson Godoy, Jurandir Meirelles e José Roberto Sarsano, os músicos do Bossa Jazz Trio, foi a primeira cantora brasileira a pisar o palco sagrado do Teatro Olympia, colocando a MPB em evidência na França e abrindo as portas de sua brilhante carreira internacional, bem como para todos os brasileiros que a sucederam.




Teatro Olympia, em Paris

Boulevard des Capucines 35 
Atelier de Félix Nadar

Boulevard des Capucines
Claude Monet

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