| |
 |
 |
Amor em Paz
|
 |
|
| |
O sucesso do primeiro disco, abriu as portas para tudo o que viria depois...
Amor e paz. Nestas épocas natalinas as palavras amor e paz adquirem um significado especial. Amor em paz, então, duplamente especial. Amor em Paz é o nome de uma canção muito bonita de Tom Jobim e Vinícius de Moraes que Amilson Godoy, Jurandir Meirelles e eu gravamos no disco Bossa Jazz Trio Vol. 2.
Não sei explicar bem porque, mas é a minha preferida no disco. Tentando expressar o que sinto, acho que nessa música os três músicos mostram com clareza algumas das características do sucesso do grupo: empatia, musicalidade e dinâmica interpretativa.
Mas porque estou falando nisso? Na verdade comecei esse ensaio de trás para frente. A inspiração começou com um presente que recebi de um leitor e amigo português. Alberto é o nome dele, mora no Porto, em Portugal.
Leitor "real" do livro Boulevard des Capucines e amigo "virtual" no Orkut, recentemente me enviou um "link" para baixar um áudio de uma entrevista com Elis Regina, com o seguinte recado: "No excelente blog Outras Bossas, foi publicada uma entrevista de Elis feita em 1976. Brincando de recriar o show do Olympia, ela menciona seu nome. Você já ouviu? Há coisas que podem parecer pequenas mas sabemos, não o são... Um abraço caloroso!"
Gravada em 18 de fevereiro de 1976, a entrevista foi concedida por Elis para o apresentador Hélio Ribeiro da Rádio Bandeirantes, que na época comandava o programa "O Poder da Mensagem". Nessa entrevista, dentre vários outros assuntos, Hélio Ribeiro e Elis falam de forma bem descontraída, sobre a primeira e memorável temporada de Elis no Teatro Olympia em Paris, e, também, do conceito dela sobre Walter Silva, o "Pica Pau", o qual foi também um dos principais mentores do Bossa Jazz Trio, que a acompanhou nesta temporada no Olympia.
Ao ouvir a entrevista me surpreendi com um trecho que muito me emocionou. Realmente Alberto, "há coisas que parecem pequenas... mas não são"! O áudio da entrevista esta na página de mídia deste site, e é parte integrante do ensaio, ouvi-lo lhe dá um sentido muito especial. É importante porque se trata da própria Elis contando e ratificando uma parte da história que contei no livro Boulevard des Capucines, que envolve a temporada no Olympia, e me faz recordar o relacionamento do Bossa Jazz Trio com Walter Silva, cujo trabalho destaquei no meu livro, a quem, a exemplo de Elis, também o Bossa Jazz muito lhe deve.
Assim, muito respeitosamente, dedico este ensaio ao meu amigo Alberto, e, também, ratifico o meu tributo a Walter Silva, por ter acreditado no talento do Bossa Jazz Trio, por tudo o que representou na carreira de Elis, e por tudo o que fez pela música popular brasileira. Ouçam no áudio as palavras de Elis e Walter Silva, uma verdadeira aula de história da MPB. Na contracapa do terceiro disco solo do Bossa Jazz Trio (o LP Vol. 2, com Amilson Godoy ao piano, Jurandir Meirelles ao contrabaixo, e eu na bateria), lançado em 1966, Walter Silva nos honrou com as seguintes palavras:
Não me é nada fácil escrever algo, por menor que seja, sobre Amilson Godoy, Jurandir Meirelles e José Roberto Sarsano, os BJ3. Amigo íntimo que sou dos três e admirador fanático de suas apresentações, não quero cair no lugar comum das considerações infrutíferas sobre sua música e sobre sua arte. Prefiro dizer a vocês o que senti quando vi Amilson Godoy à frente da Orquestra Filarmônica de São Paulo, solando ao piano com um desembaraço impressionante, uma das peças mais difíceis de Beethoven. Confesso que chorei. Vibro com o "beat" de Zé Roberto à bateria e a técnica desenvolta de Jurandir Meirelles ao contrabaixo. Acredito mesmo que ambos darão, brevemente, muitas glórias à nossa música, a exemplo do que faz Amílton, irmão de Amilson, que pertence ao Zimbo Trio. Este segundo LP, é uma alentadora amostra.
Confio em vocês, "meus meninos".
Walter Silva
Elis nos deixou uma obra sociocultural inigualável, e foi habitar uma estrela... O Bossa Jazz Trio agora habita a história da MPB, e com seu legado, tem nela o seu merecido lugar...
Benedito (o Benê, no piano e flauta), Nelson Aquino (o Nelsinho, no contrabaixo) que juntamente comigo começaram o Bossa Jazz Trio e foram responsáveis pelo nosso primeiro grande sucesso em disco e mídia com a música Balanço Zona Sul (Tito Madi), que abriu as portas para tudo o que veio depois na história do BJ3, seguiram seus caminhos na vida e hoje são respectivamente juiz de direito e advogado.
Amilson Godoy, Jurandir Meirelles e eu, que chegamos até o Olympia de Paris com Elis Regina, continuamos amigos, e, também, seguimos cada um nossos caminhos, marcados honrosamente pela bonita história que construímos juntos no Bossa Jazz Trio. Amilson é hoje um consagrado maestro, pianista e empreendedor no meio musical. Jurandir seguiu alguns anos mais com Elis e hoje é um bem sucedido empresário.
Por último, mas não menos importante, o contra baixista Itiberê Zwarg, que veio trazer brilho ao Bossa Jazz, já quando as luzes estavam se apagando...
Nestas épocas natalinas, em que as palavras Amor e Paz adquirem um significado muito especial, tenho certeza que Amilson e Jurandir, se unirão a mim para dizer:
"Muito obrigado por ter confiado em nós Walter Silva! Hoje a história e o legado do Bossa Jazz Trio, solo e com Elis Regina, mostra que correspondemos à sua confiança!"
Feliz Natal!
Música tema deste ensaio:
"Amor em Paz"
Tom Jobim e Vinícius de Moraes
Interpretação Bossa Jazz Trio
Amilson Godoy, piano; Jurandir Meirelles, baixo; José Roberto, bateria
Confio em vocês "meus meninos"...
|
|
|
|
 |
|
| |